Álbuns e Descobertas Nº 1
#1 - Between the Buttons (1967)
O ano de 1967 foi um dos mais importantes e revolucionários na música do século XX. Em um momento pós Beatlemania, em plena tensão da Guerra do Vietnã, uma supernova explodiu gerando bandas no Reino Unido e nos Estados Unidos, afetando também quem já era famoso, como é o caso dos Rolling Stones. Era o Rock Psicodélico e o Pop Psicodélico, que afetava todos os artistas e o público jovem naquela primavera que pedia por paz e amor.Para além do Pink Floyd, The Doors e Jimi Hendrix, que surgiam nesse mesmo ano, outros artistas contribuíram para esse movimento, e a contribuição não foi pouca: Beatles se transformaram nos Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, enquanto o Cream tentava alcançar Jimi Hendrix com Disraeli Gears; e até o The Who experimentava a ideia de álbum conceitual com The Who Sell’s Out (onde o álbum emulava uma programação de rádio).
Sendo um conhecedor superficial da carreira dos Stones, sempre imaginei que sua inclusão no Rock Psicodélico tivesse se dado no Their Satanic Majesties Request, do ano seguinte. Mas fiquei louco para “por as mãos” em Between the Buttons quando descobri que esse, sim, tinha sido a incursão deles na psicodelia.
Interessante notar que esse álbum soa bem mais um Pop Psicodélico, sendo um álbum na maior parte do tempo alegre, colorido e bem humorado. Nada de guitarras muitos pesadas ou efeitos tentando emular Hendrix. Aqui cabe outro rótulo que tem tudo a ver com esse momento da música: Baroque Pop (ou Pop Barroco). Uma tendência de criar melodias e arranjos sofisticados e nostálgicos (pra época), em uma melodia doce e memorável. Algo que encaixou como uma luva pros artistas mais populares e radiofônicos, em meio à revolução psicodélica. Se trata de algo deveras… britânico [, meu caro]. 🧐🎩
Por fim, posso dizer que adorei esse álbum. Especialmente porque os Rolling Stones não ficaram nessa pra sempre, e em suas muitas décadas à frente, deixariam esse disco como uma época marcada pela tendência, e com excelentes músicas como Ruby Tuesday, Cool Calm and Collected e Something Happened To Me Yesterday.
Nota de descoberta: ⭐⭐⭐⭐⭐
#2 - Viva a Brotolândia (1961)
Nunca imaginei que a carreira da brilhante Elis Regina teria começado, na verdade, com cara de Jovem Guarda, e ainda em 61, antes de Chico Buarque ou os Beatles.Em algumas faixas vemos o Rock leve e gracioso, como em Sonhando e Baby Face. Mas o álbum também costura isso com alguns Sambas bem arranjados e tristonhos. Apesar de transitar entre um Rock tímido e a Bossa Nova, os instrumentos parecem bem coerentes ao longo de todo disco, onde ouvimos metais (especialmente o Sax), guitarra; e em alguns momentos até acordeão e clarinete. Praticamente uma Big Band acompanhando a jovem cantora.
A voz de Elis, que tinha apenas 16 anos, já era forte, imponente e bem colocada. Sua imposição vocal lembra aquele jeito antigo das lendárias cantoras de rádio da primeira metade do século.
Essa foi a estreia de Elis e nota-se um amadurecimento nos próximos passos da carreira. Ela enveredaria muito mais pro lado do Samba e da Bossa Nova, até se tornar um dos nomes mais importantes da MPB nos anos 70, onde pôde flertar com outros estilos musicais, enquanto nomes que se dedicaram inteiramente pro estilo Jovem Guarda, ficariam muito mais estigmatizados na nostalgia do inocente Rock brasileiros dos anos 60.
Destaque para o cover de My Favorite Things (As Coisas Que Eu Gosto), uma canção clássica do musical A Noviça Rebelde, que foi reinterpretada por vários artistas musicais ao longo dos anos. A versão de Elis é muito bizarra, com umas vozes distorcidas de acompanhamento, estilo Alvin e os Esquilos. 😂
Nota de descoberta: ⭐⭐⭐
#3 - DECIDE (2022)
Em plena virada de 2025 para 2026, o fenômeno Stranger Things se reavivou com o lançamento de sua última temporada. E com isso o projeto musical de Joe Keery, que interpreta Steve, na série, também parece ter ganhado uma notoriedade meteórica nas redes sociais.Djo, aparentemente seu nome artístico musical, tinha entrado pra minha lista de álbuns, não por causa do hype da última temporada da série, mas por conta do MusicBoard, uma rede social sobre álbuns, onde DECIDE aparecia como um dos álbuns mais ouvidos e mais comentados. End of the Beginning, canção que está nesse álbum, também parece ter tomado de assalto os Reels e Stories nos últimos meses.
No geral, achei o álbum excelente. Um álbum que pode ser chamado de Pop Alternativo, com muitos elementos eletrônicos, sintetizadores pesados, mas também com uma melancolia melódica e inteligente, como em Half Life ou On and On. O que pesa mais é a produção, fortemente finalizada com aquele toque nostálgico de anos 80, algo bastante comum na música Pop americana há quase uma década, mas que ainda parece ter o efeito esperado nos ouvidos Vapor Wave de quem curte essa tendência.
Qualquer semelhança com a evocação oitentista de Stranger Things é mera coincidência (eu acho). Mas é interessante que, para além de um Hype e uma tendência Pop, esse álbum realmente possui canções muito boas e o talento de Djo merece ser apreciado.
Nota de descoberta: ⭐⭐⭐⭐
#4 - À Vontade (1967)
Baden Powell é um nome obrigatório para conhecer a música brasileira, a Bossa Nova, os fundamentos da MPB e, sobre tudo, o violão brasileiro. Há muito tempo atrás, depois de ouvir uma música aqui e outra ali, fiquei obcecado pelo seu álbum Solitude On Guitar, de 1971. E depois de (Deus me livre) quase esquecer Baden, me deparei com a canção Astronauta, que reviveu minha paixão e vontade de ouvi-lo de novo. Guardei esse álbum na minha lista.
Baden Powell à Vontade é bastante parecido com Solitude On Guitar, por ser bastante intimista e com uma sonoridade minimalista, no que diz respeito à instrumentos de acompanhamento. Ouvimos bateria, percussão e flauta acompanhando o violonista. Talvez a maior diferença aqui seja a atmosfera do álbum, que parece mais alegre, mais otimista, com um repertório que junta a Bossa Nova de Garota de Ipanema com o Samba de Dorival Caymmi, em Saudade da Bahia. Sem contar as influências rítmicas afro-brasileiras, que ele mesmo ajudou a estabelecer na música popular com seu Afro Samba.
Já não se pode chamar de minimalista a complexidade e empenho que Baden demonstra no seu jeito de tocar. Como todo verdadeiro gênio musical, Powell sabe tocar coisas complexas sem cair na armadilha de parecer puramente virtuoso, mostrando que tem uma sensibilidade artística na sua música, mesmo que instrumental. Aliás, a única faixa não-instrumental do disco é Berimbau.
Nota de descoberta: ⭐⭐⭐⭐
#5 - Dire Straits (1978)
Em 1978 a música estava mudando e muito. Com a consolidação do Punk Rock e da Disco Music, muita coisa passou a ser vista como obsoleta. É justamente nesse cenário que Dire Straits lança seu primeiro álbum. A banda reunia vários elementos mais, digamos, conservadores, mas se tornaria um grande nome da música Pop e do Pop Rock nos anos 80.É aqui que tem a lendária Sultans of Swing, e precisava ouvir esse álbum pra entender como uma banda estreante, que se tornou muito prestigiada no cenário musical, conseguiu cravar de primeira uma música tão inesquecível. Não só a banda, mas também o líder Mark Knophler, são sempre lembrados com muito respeito por todo tipo de gente.
O álbum já começa com uma canção típica. Down to the Waterline é exatamente o que se espera de uma canção do Dire Straits. Uma guitarra limpa e melódica, muito inspirada no Blues, com um ritmo que parece incorporar diversos estilos dos anos 50 em uma só levada.
Apesar da qualidade sonora, as canções não são todas empolgantes ou divertidas, tendo algumas mais lentas que pareceram sem graça. Mas depois de Sultans of Swing o disco parece engrenar até o fim, com In The Gallery sendo uma das faixas que mais se destacou pra mim. Um ritmo com alguma influência do Reggae, mas mantendo a pegada Rock, assim como seus colegas do Police também fizeram. Não à toa, ambas as bandas surgiram no mesmo ano, com uma proposta nova de som, chamou a atenção do público e da crítica, e se consagrou nos anos seguintes.
Nota de descoberta: ⭐⭐⭐⭐
Comentários
Postar um comentário