Red Hot Chili Peppers, do Pior Álbum ao Melhor!

Resolvi fazer um ranking dessa discografia. Vamos ver se você concorda...

O Red Hot ,como eu vou abreviar carinhosamente, é uma das maiores bandas da história e também uma das minhas favoritas. tendo passado por 4 décadas, várias fases e formações diferentes, a banda sofreu mudanças ao longo de sua história. E tendo lançado tanto material, dá logo vontade de refletir sobre toda a discografia e montar um ranking, do pior ao melhor álbum.

Sem mais delongas, vamos lá:

  • Red hot chili peppers
  • The Getway
  • The Return of Dream Canteen
  • I'm With You
  • Unlimited Love
  • One Hot Minute
  • Californication
  • Stadium Arcadium
  • By The Way
  • Freaky Styley
  • Mothers Milk
  • The Uplfit Mojo Party Plan
  • Blodd sugar sex magic

13. Red Hot Chili Peppers (1984)

Sim, a capa também não é das boas

Pra mim esse é o único álbum, de fato, ruim do Red Hot (único mesmo). E isso se dá por uma soma de fatores.Primeiramente, a banda que foi formada um tempinho antes do lançamento desse álbum, já tinha alcançado um certo status de causar com suas apresentações esquisitas, um tanto quanto nuas, e sua música misturando diferentes e inesperadas influências, como o Funk, Punk, Rock e Hip Hop.

No entanto, quando a banda foi gravar esse que seria seu álbum de estreia, metade da banda ficou pelo caminho. Jack Irons (baterista) e Hillel Slovak (guitarrista), já tinham contrato com outra gravadora e tiveram que ser substituídos por Cliff Martinez e Jack Sherman (respectivamente). Bem, na verdade essa não é exatamente a razão do álbum ser ruim, mas vamos concordar que é um tanto brochante: Um registro histórico como esse acabou cortando metade dos membros por questões contratuais.

Mas a sonoridade e produção do álbum é o que realmente deixa a desejar. Fica muito na cara que alguém teve que "gravar aqueles malucões de Hollywood", sem entender muito bem qual era a proposta do som da banda. Por fim, é um álbum com um som socado numa sonoridade oitentista que sufocou a veia explosiva da banda.

12. The Getaway (2016)

Após anos de sucesso, a banda acabou lançando The Getway, que pode ser visto por muitos como um álbum que divide opinões. Se por um lado o álbum marcou com músicas como Dark Necessities, Goodbye Angels e um inesperado sample de Elton John em Sick Love; por outro a banda se mostrava enfraquecida. Esse é o segundo álbum com o guitarrista Josh Klinghoffer e o primeiro, em anos, sem a produção de Rick Rubin, companheiro de longa data da banda.

No entanto não acho que The Getway tenha sido um álbum ruim. Mostra que a banda ainda tinha capacidade e feeling pra continuar produzindo músicas novas, mas uma estranha combinação de fatores faz com que esse álbum não sobreviva "com louvor" entre tantos outros discos excelentes que eles produziram ao longo das décadas.

11. The Return of Dream Canteen (2022)

Talvez esse seja o posicionamento mais injustiçado dessa lista, já que o álbum é muito jovem, muito recente, e ainda não tenha marcado o seu lugar correto no coração (e nos ouvidos) desse que escreve.

Acontece que todos os fãs da banda vibram com a volta de John Frusciante, o que foi coroado com a volta aos palcos após a pandemia, e o lançamento do ótimo Unlimited Love.

Mas teria a banda cometido um erro em, pela primeira vez, lançar dois álbuns de inéditas no mesmo ano? Talvez. Dream Canteen parece ter o mesmo nível de seu antecessor, mas a comparação imediata é inevitável. E sim, esse parece um pouco menos atraente que o outro.

10. I'm With You (2011)

Em 2009 os fãs tiveram que lidar com a segunda saída de John Frusciante da banda. O guitarrista que é tido com um gênio da composição e autenticidade, deixaria os fãs orfãos por mais 10 anos.

Foi aí que a banda adotou como substituto um parceiro musical de Frusciante. Era o [mais jovem] Josh Klinghoffer, que parecia se encaixar no papel que lhe foi dado, com dignidade e sem tentar imitar seu antecessor.

I'm With You, com produção de Rick Rubin, teve excelentes faixas. Linhas de baixo memoráveis e refrões igualmente empolgantes. Factory of Faith, Monarchy of Roses, Look Around entre outras músicas, mostrava que, apesar de Frusciante fazer falta, a banda estava com tudo e sabendo se reinventar mais uma vez. Um ótimo álbum!

9. Unlimited Love (2022)

Em 2022 foi a vez da [segunda] volta à formação clássica. A banda já havia tocado antes da pandemia, mas finalmente pode lançar suas novas músicas.

Unlimited Love trouxe discretamente alguns elementos novos, como alguns sintetizadores. O que pode ser uma combinação da tendência de referênciar os anos 80 na música Pop de hoje, mas também pode ser uma bagagem trazida por Frusciante, que abusou do instrumento em seus projetos solos. O disco também traz algumas sutis influências da música Folk. Um ritmo de violãozinho aqui, um vocalzinho ali... De leve dá pra ver que a banda trouxe novos elementos pro som que os consagrou.

O disco não é perfeito. Possui algumas faixas chatas, ou que poderíamos chamar de "bem mais ou menos". Mas ao mesmo tempo, traz músicas incríveis e que, pra mim, já são inesquecíveis, como Heavy Wing, These Are The Ways, She's a Lover e One Way Traffic.

A banda não economizou nas linhas de baixo de Flea, marca forte da banda, nem na presença de John, esperada por tantos fãs.

8. One Hot Minute (1995)

Voltemos diretamente ao meio dos anos 90, quando depois de um sucesso estrondoso, o Red Hot se viu em maus lençois com a saída de Frusciante (pela primeira vez). Naquela época, a banda se encarregou de contratar Dave Navarro, da banda Janes Addiction, como novo guitarrista da banda.

Esse é um daqueles álbuns que também divide opiniões, mas não importa o que eles dizem. Eu acho fantástico. Diferente dos fãs que não curtem muito esse álbum, eu não acho que Navarro descaracterizou o som da banda. Perceba quanto de Funk tem em One Hot Minute com músicas como Aeroplane, Deep Kick, Falling Into Grace, além de Walkabout, que é praticamente um Samba Rock.

Existem algumas faixas mais pesadas como One Hot Minute, One Big Mob e Coffe Shopp. Mas isso torna o disco ainda mais interessante.

Ainda existem outros momentos únicos como a melancólica My Friends, e a engraçadíssima e significativa Pea (música cantada e tocada apenas por Flea e seu baixo). Nota para esse álbum: Sempre ouço inteirinho sem querer pular nenhuma faixa.

7. Californication (1999)

Aqui é aquele lugar onde a gente precisa entender a diferença entre opinão pessoal e percepção do Espírito do Tempo. Californication pode não ser um dos meus álbuns favoritos ou que eu tenha ouvido incontáveis vezes. Na verdade é um álbum clássico, que como outros (como Appetite For Destruction do Guns N' Roses), eu acabo ouvindo mais um hit aqui e ali do que recorrendo a audição completa do álbum.

Mas Californication marca a volta de Frusciante à banda. E não apenas isso, mas uma sequência de Hits que levariam a banda pra um nível inacreditável de popularidade. Scar Tissue, Other Side, Around the World, Road Trippin e a faixa título... todas tocaram, com o devido mérito, incessantemente nas rádios e na MTV. O Red Hot não era só uma banda com um som legal, era um parâmetro de como combinar o estilo de suas músicas, com seus vídeos e com sua história, estampada inerentemente em tudo que eles fizeram nessa época.

Enquanto Around The World e Get on Top parecem ser músicas daquele mesmo Red Hot do início dos anos 90, Outras pareciam mostrar o rumo que a banda tomaria nos próximos discos, com belas melodias e arranjos primorosos.

6. Stadium Arcadium (2006)

Em 2006 a banda lançava seu primeiro álbum duplo. Stadium Arcadium, além de ter sido um sucesso gigante com músicas e vídeos de Dani California e Tell Me Baby, também soube repetir bem a inteligência de Californication.

A banda aparece em baladas mais populares como Snow e Desecration Smile, mas também sustenta com força seu Funk Rock, como em Charlie e Hump de Bump.

Mas o álbum me parece ainda mais primoroso, porque além de todos os elementos que a banda parecia acumular positivamente, ainda deixou transparecer um amadurecimento nas canções. Pra mim o ponto alto desse álbum são canções como Slow Cheetah, Torture Me, Stadium Arcadium, She Looks to Me, etc... São canções reconhecidamente com características da banda, mas que eles só poderiam ter feito nesse disco.

5. By The Way (2002)

Esse foi, durante muito tempo, meu álbum preferido da banda. Aqui eu vou misturar opinião extremamente pessoal mesmo! Eu cresci assistindo o clipe de Can't Stop no PC, em um CD ROM, e o clipe de By The Way na MTV. Infinitas vezes!

Anos mais tarde, naquela época em que baixávamos discografias em mp3, me apeguei ao By The Way conhecendo e me apaixonando por várias faixas, algumas das quais eram novas pra mim.

Nesse disco, eles souberam pesar a mão na beleza, como em Dosed, Universally Speaking e Zeaphyr Song.Além de faixas absolutamente criativas e marcantes como Trhough Away Your Television, Venice Queen e Minor Thing. Destaco ainda I Could Die For You e This Is The Place. Lembro de como as melodias e letra de ambas me marcaram.

Deixando o apego pessoal de lado, vamos combinar que ainda assim, esse era a banda no seu auge.

4. Freaky Styley (1985)

A capa representa perfeitamente a vibe desse disco

Se você conhece a banda pelo sucesso mainstream aqui do Brasil, talvez você nem conheça esse álbum ou alguma música dele. E pode parecer forçado eu dizer que esses álbuns antigos vão estar nos melhores lugares da lista. Mas, quando víamos o Red Hot fazendo suas loucuras nos vídeos e nos shows, sempre soubemos que a banda tinha uma longa história. Um passado. Especialmente por um certo personagem. O guitarrista Hillel Slovak, que morreu jovem em 1988. Conhecer esses álbuns é acessar diretamente a fonte de toda criatividade sonora da banda. Acredite, esse é um grande disco.

Freaky Styley, segundo álbum da banda, foi gravado ainda com o baterista Cliff Martinez. Mas marca a volta de Hillel, sendo esse o primeiro álbum que ele gravou com a banda que ele mesmo fundou. O álbum ainda conta com outra presença ilustre: Os moleques escolheram seu ídolo do Funk George Clinton para produzir o álbum.

Diferente do primeiro disco, a produção desse tem mais a cara da banda. É claro que pros dias de hoje ele parece datado, mas com uma sonoridade que acaba ornando com a maluquice do som.

Já começa com faixas iconicas como Jungle Man, Hollywood e American Ghost Dance. Uma porrada atrás da outra, que infelizmente, muitas pessoas não conhecem. Outras músicas ainda mantém o nível de diversão do álbum como Brothers Cup e Yertle the Turtle. Em outras, a banda mostra um pouco mais a influência do Punk, como em Battle Ship e Catholic School Girls Rule (que teve um clipe inacreditável).

Uma das letras mais significativas ainda é Nevermind, onde a banda cita nominalmente vários artistas dos anos 80, tratando eles como sem graça. Porque afinal de contas, eles eram bem mais legais. Eles eram os Red Hot Chili Peppers.

3. Mother's Milk (1989)

Esse foi o primeiro álbum da banda após o falecimento de Hillel Slovak. E marca um renascimento. É também o primeiro álbum com a formação clássica da banda: Frusciante na guitarra e Chad Smith na bateria.

Mas apesar de se tratar dos caras que gravaram todas aquelas músicas que conhecemos ao longo dos anos 90 e 2000, Mother's Milk parece herdar diretamente a sonoridade dos dois álbuns anteriores.

Tem faixas cheias de groove como Subway to Venus, Taste the Pain e Stone Cold Bush. Além das bem humoradas como Good Time Boys e Punk Rock Classic (que acaba com nada mais, nada menos, que Frusciante tocando debochadamente a intro de sweet child o' mine na guitarra).

Duas canções que marcaram esse disco foi Higher Ground, uma versão da música de Stevie Wonder. A outra, é Knock Me Down, que apesar de ter uma sonoridade pra cima, tem uma letra muito sincera sobre os problemas com drogas que os integrantes sofreram e lutavam pra se livrar. Pra mim, talvez a melhor música da banda, por sintetizar perfeitamente tudo que eles viveram.

2. The Uplift Mofo Party Plan (1987)

"Nunca julgue um livro pela capa"

Muito do que faz esse um bom disco, está descrito nos dois discos anteriores: Sonoridade eletrizante, criativa, groovada e bem humorada. Esse foi o segundo álbum gravado com Hillel na guitarra, mas ainda conta com uma curiosidade: Nesse ano, Jack Irons tinha voltado pra banda, logo, esse é o único álbum gravado pela formação original do grupo: Anthony, Flea, Hiley e Jack.

O poder da combinação das faixas é incrível. Eu não conseguiria citar algumas, porque literalmente da primeira à oitava faixa todas valem muito!

Subterranean Homesick Blues é um cover inesperado de Bob Dylan, todo ao estilo Red Hot das antiga.

Me and My Friends foi uma das poucas que a banda tocou ao vivo por muitos anos, mesmo depois de várias formações.

Um álbum impecável, dada a proposta.

Blood Sugar Sex Magik (1991)

Não sei exatamente porque, mas sinto que evitei ouvir esse álbum completo por um tempo.

Se ao olharmos pra discografia conseguimos enchergar um antes e depois do Red Hot Chili Peppers, independente de qual você prefira, esse álbum foi de fato o divisor de águas na história da banda.

Era o segundo álbum com a formação clássica: Anthony, Flea, Frusciante e Chad. Mas eles quiseram mudar a direção da produção e escolheram um cara que ajudaria a banda a se desenvolver ainda mais: Rick Rubin.

É famosa a história de que Rick incentivou Anthony a transformar seu poema em música. E assim nascia Under The Bridge. Umas das mais belas e conhecidas.

Nessa dicotomia entre um Red Hot frenético do Funk e o melódico/melancólico, até as ordens das faixas parecem entrelaçar as duas possibilidades: Ao longo de várias faixas groovadas e enérgicas, temos Breaking the Girl, I Could Have Lied e Under the Bridge.

O álbum ainda traz Suck My Kiss (outra ótima música-definição do som deles) e Give It Away, talvez a mais popular de todas.

Se nos álbuns passados a sonoridade pode parecer arrastada ou com um ar ultrapassado, aqui já eram os anos 90, e assim como Nirvana, Metallica e Pearl Jam, a banda estava imprimindo seu som em uma produção extremamente limpa, de alta qualidade e sem perder o seu vigor artístico.

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