Jeff Beck - Beck-Ola (1969)
Depois de lançar seu primeiro álbum, Truth, no ano anterior, Jeff Beck volta mais uma vez com sua banda Jeff Beck Group. A formação se manteve basicamente a mesma, com uma pequena alteração na bateria: Jeff Beck teria trocado Micky Waller pelo experiente Tony Newman. Apesar de alegar que a troca aconteceu porque o antigo baterista seria muito Motown, enquanto Newman teria uma pegada mais pesada; a troca parece ter mais a ver com o palco, já que o resultado no estúdio é imperceptível. Diferente de Truth, a banda não traz nenhuma participação especial. Mas Nicky Hopkins, dessa vez, se junta à banda de maneira fixa, contribuindo com seu piano em todo o álbum.
Em Beck-Ola, a banda apresenta um álbum menor. Com 30 minutos e apenas 7 músicas. Mas de alguma forma, esse álbum conciso parece ser mais preciso, trazendo apenas 2 covers e 5 músicas originais. Novamente produzido por Mickie Most, o álbum tem uma sonoridade bem próxima do primeiro. Apesar da forte veia de Blues, sempre presente, Beck-Ola parece apresentar um álbum mais pesado, ressaltando o groove do Rock Psicodélico do final dos anos 60.
Ao invés de trazer covers de Blues, o álbum traz 2 covers de Elvis Presley: All Shook Up e Jailhouse Rock. Ambas bem repaginadas, como a banda tinha feito com Shape of Things, deixando o som mais moderno e experimental. All Shook Up é quase irreconhecível.
Girl From Mill Valley é uma balada focada no piano. Composta por Nicky Hopkins, a faixa que nãocontém guitarra nem vocal, dá um toque de fofura no álbum, com uma sonoridade Pop Barroco, típico da Inglaterra dos anos 60. A música representa bem a capa do álbum: Uma pintura do artista belga René Magritte.
As composições Spanish Boots e Plynth, são os grandes destaques do álbum e minhas favoritas. Ambas soam poderosas e realmente memoráveis, combinando riffies pesados e criativos de Beck, com a voz de Rod Stewart agressiva e afiadíssima.
Em uma comparação inevitável com Truth, Beck-Ola pode ser encarado como “mais do mesmo”, já que mantém o estilo sem acrescentar nada especialmente novo, e não explorar influências tão ecléticas. Mas também é um disco mais original e pesado, com cara de banda de Rock. Tive a impressão de ouvir uma banda mais entrosada e despojada. Nos últimos segundos de All Shook Up, Jeff faz algo incrível com as cordas, criando um efeito sonoro, antecedendo Tom Morello em décadas. Em Plynth, em dado momento, a bateria groova sozinha com um som de caixa diferente. O disco tem várias pílulas como essas, que o torna especial.
Esse foi também quase o fim do Jeff Beck Group. Segundo conta Rod Stewart, Beck era um excelente artista, mas um péssimo administrador. A banda tinha começado a fazer shows nos EUA, mas ele e Ron Wood eram mal pagos e passavam sufoco financeiro. A banda tinha seu nome nos cartazes do festival de Woodstock, mas teve que cancelar a apresentação porque Rod e Ron Wood deixaram a banda dias antes, ao aceitar uma proposta de criar sua própria banda ao lado de Ronnie Lane: The Faces. A maior ironia nessa história é a letra de Spanish Boots, escrita por Rod, que se trata, basicamente, de um cara que passa por diversos empregos precários, “bate as botas” e vai embora de cada um deles. Dessa vez, ele tinha “Spanish boots and so long” para Jeff Beck.
Vale lembrar que o ano de 1969 foi muito competitivo para o Rock. A concorrência era monstruosa, sendo o ano em que Led Zeppelin entrou na praça com dois álbuns, ainda tínhamos os Beatles com Abbey Road, The Doors, Jimi Hendrix, Cream, Janis Joplin, Creedance, The Who (com seu clássico Tommy), além de novidades como o Rock Progressivo do King Crimson e o Fusion Jazz de Miles Davis, com Bitches Brew. Beck-Ola é um álbum potencialmente clássico, mas que acaba esquecido no meio de tantas pérolas.
Beck ainda reformularia seu grupo para voltar com mais dois álbuns (em 1971 e 1972), insistindo na ideia de ter uma banda de Rock.
Faixas
Lado A
- All Shook Up
- Spanish Boots
- Girl from Mill Valley
- Jailhouse Rock
Lado B
- Plynth (Water Down the Drain)
- The Hangman's Knee
- Rice Pudding
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