Álbuns e Descobertas Nº 0 (Piloto)

Trago aqui minha edição 0 do Álbuns e Descobertas. Uma lista mais apressada pra comentar alguns álbuns que guardo no Spotify pra ouvir e não tenho coragem de jogar fora sem registrar alguma percepção. 

Há pelo menos 2 anos não venho escrevendo sobre lançamentos, então preciso "me livrar" dessa lista e liberar espaço para os próximos. Talvez também crie listas com lançamentos, se essa série aqui sozinha engrenar.

O objetivo aqui não é fazer um review super aprofundado sobre cada álbum, mas compartilhar uma primeira e segunda impressão. O que aparece aqui, pode muito bem, virar tema de outro texto mais tarde, é claro.

#1 - Porno For Pyrus (1993)

Esse é o primeiro disco da banda de mesmo nome Porno for Pyrus, banda liderada por Perry Farrell, vocalista também do Jane’s Addiction, que tinha deixado à banda.

O álbum tem uma produção aparentemente pobre, mas que contribui com o Som autêntico e coerente da banda. Não é um disco que você identifica diferentes estilos musicais à cada faixa, mas uma banda que chegou no seu som próprio, um Rock esquisito, desajeitado, que representa muito bem a estética do começo dos anos 90.

A voz de Perry Farrell combina completamente com o estilo da banda, que com esse som desenvolvido lembra um pouco do Primus e, é lógico, o próprio Jane’s Addiction.

Apesar da autenticidade, o álbum me agradou de verdade em poucos momentos, quando ia pra um som mais pesado ou rápido, tendo passagens lentas e mais contemplativas, através das faixas, que me deixaram mais entediado do que maravilhado.

Destaques positivo para as faixas: Cursed Male, Pets e Black Girlfriend.

Nota de descoberta: ⭐️⭐️⭐️

#2 - Little Earthquakes (1992)

Primeira vez que ouvi Tori Amos foi com um de seus hits mais famosos Cornflake Girl. Ouvi despojadamente, mas depois de ouvir algumas vezes, comecei a perceber que não se tratava de um Pop Chiclé, inocentemente e comercial. Pelo menos não no som, que tinha um piano bastante sofisticado, tocado pela própria artista.

Por curiosidade busquei mais por ela no Youtube e me deparei com diversas canções em apresentações no Montreux Festival, em 1991 e 1992. Em ambos os anos a cantora se apresentou em um show de apenas piano e voz, e foi assim que fiquei atônito à maioria de suas músicas: Piano de alto nível, controle vocal excelente, letras cortantes e uma interpretação impecável.

É importante dar essa contexto porque foi ele que me levou à escolher o primeiro álbum da cantora, já que é da mesma época dessas apresentações.

No álbum Little Earthquakes, fica claro que foi empenhado uma produção maior ao redor da voz e do piano de Tori, adicionando arranjos de cordas, além de baterias e guitarras mais timidamente em algumas faixas. Confesso que prefiro assistir as apresentações de Montreux do que ouvir esse álbum, mas isso não significa que ele seja ruim ou mesmo que a produção destrua o brilhantismo das canções. Apenas soa uma produção um pouco cafona, com som [ainda] de anos oitenta, em cima de canções que parecem combinar com a pegada mais crua das execuções solo. Um exemplo disso é minha canção favorita Crucify.

Destaco outras faixas desse álbum como Winter, Precious Things e Happy Phantom.

Nota de descoberta: ⭐️⭐️⭐️⭐️

#3 - Around the Next Dream (1994)

Ginger Baker, o anjinho Badass 
Único álbum do Trio BBM (Bruce, Baker e Moore), que é basicamente uma reunião do Cream, mas com Gary Moore no lugar de Eric Clapton.

Encontrei esse álbum num momento em que estava estudando mais a fundo a carreira do Ginger Baker, e do Cream como um todo. Me surpreendi ao descobrir que uma primeira reunião entre os membros do Cream, ainda sem Clapton, aconteceu com um guitarrista que sou muito fã e que também estou constantemente mergulhado na discografia: O irlandês Gary Moore.

A reunião oficial do Cream ainda aconteceria anos mais tarde, mas fiquei empolgado em ouvir como esse disco soaria, já que o próprio Gary Moore estava apostando todas suas fichas no Blues no começo dos anos 90, em sua carreira solo.

O álbum é excelente. Tem uma sonoridade limpa e moderna, típica dos anos 90. Todos os instrumentos são muito bem definidos, com destaque da sempre brilhante bateria de Ginger Baker, que sempre vai além do básico tocando Blues.

A mistura bem costurada do álbum também chama a atenção. Os vocais são praticamente 50/50 entre Jack Bruce e Gary Moore, assim como o estilo, que varia entre um Blues Rock típico do Cream como em Waiting in The Wings ou Can’t Fool the Blues. Mas também existem músicas mais leves com alguns fundos de teclado como Where in The World Naked Flame. Além disso, praticamente todas as músicas são originais, composição de Jack e Gary. Um álbum que não merece ser esquecido.

Nota de descoberta: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

#4 - Phenomena (1985)

Esse é um interessante projeto que foi cruelmente esquecido na história do Rock, envolvendo diversos músicos importantes, e que curiosamente parece ter um público brasileiro muito maior que o resto do mundo.

O Phenomena nasceu com a ideia de ser um álbum e também um filme que misturava Terror e Ficção-Científica, mas o filme nunca foi feito, enquanto a banda produziu ainda outros álbuns, mesmo com músicos diferentes. O mais misterioso é que em 1985 também existe um filme chamado Phenomena, que não tem nada a ver com esse projeto, embora o poster desse filme, e a capa desse álbum tenham paralelos evidentes.

Falando do disco em si, se trata de um Hard Rock AOR, com guitarras poderosas, sintetizadores datados e canções com melodias bem construídas. Um potencial gigantesco de ter sido algo altamente mainstream na época.

O projeto nasceu com Mel Galley, que tinha saído do Whitesnake no ano anterior, e seu irmão Tom Galley, que aparece como um dos principais letristas. Outros músicos também parecem ter “migrado” do Whitesnake como os grandes Neil Murray (baixo) e Cozy Powell (bateria), que tocam em quase todo o álbum. Os vocais ficam à cargo do grande Glenn Hughes, que apesar de estar em uma época bem sombria de sua vida pessoal, continuava entregando tudo nos estúdios, como é perceptível nesse álbum e também no álbum Run For Cover, de Gary Moore (lançado naquele mesmo ano). Hughes ainda toca baixo em duas faixas, e ainda Don Airey aparece em uma das faixas do disco.

Pra quem gosta de Hard Rock dos anos 80 e AOR, esse é um disco soterrado na história que vai deixar de queixo caído quem nunca ouviu antes.

Destaques para Still the Night, Dance With the Devil e Who's Watching You?

Nota de descoberta: ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️

#5 - Super Champon (2022)

O Otoboke Beaver são quatro garotas japonesas, super coloridas, que fazem um Punk Rock moderno e absolutamente caótico. Elas parecem ter caído nas graças de LA, e a primeira vez que vi um trecho de uma performance delas, fui obrigado à ir atrás de um álbum pra ouvir.

18 músicas e 21 minutos, isso parece resumir bem quão objetivo e rápido é o som da banda, que com sua abordagem maluca e provocadora, acaba arrancando também algumas risadas de quem ouve. É uma mistura de empolgação com atitude, que as vezes beira o ridículo, mas no bom sentido.

Pra mim a comparação com o System of a Down, especialmente no começo da carreira, é inevitável. É como se elas fossem uma espécie de SOAD japonês do Punk. Porque tocam em assuntos sérios, sem medo de extrapolar na velocidade, peso e troca de ritmos; assim como não tem medo de não se levar tão à sério. Um disco esquisito e genial.

Não destaco nenhuma faixa em específico, porque o álbum é mais uma experiência completa do que um punhado de canções. Vale mais a pena escutar na íntegra e imaginar uma apresentação desse naipe.

Nota de descoberta: ⭐️⭐️⭐️⭐️

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