Jeff Beck - Truth (1968)
Depois de ter contribuído de forma histórica com os Yardbirds e ter se aventurado cantando em uma carreira solo, em 1967, o incrível e influente guitarrista britânico Jeff Beck lançava sua banda em 1968. Jeff Beck Group era formado por Rod Stewart no vocal, ainda desconhecido na época, além de Ron Wood no baixo e Micky Waller na bateria.
Truth foi lançado em julho daquele ano e tinha a força de ser o “primeiro álbum” de Jeff Beck. O guitarrista tinha como audiência diversos músicos atentos e ansiosos, que o admiravam e aguardavam pela novidade do seu próximo trabalho. Beck tinha se formado principalmente no Blues e ficado famoso tocando em uma banda que, apesar de ter suas raízes no Blues, também soube se moldar ao mercado mais popular.
Voando solo, Beck poderia dar força para seu som mais pesado e inventivo. O que ele de fato era como guitarrista. Se Jimi Hendrix transformou a guitarra e chamava a atenção por dar uma nova cor ao instrumentos através de pedais e efeitos; Esse tinha sido um dos influenciados por Jeff. Que assim como Hendrix, tinha empurrado os limites das boas práticas, criando um som novo aqui e ali. Talvez de forma mais rudimentar que Hendrix, mas ainda antes dele. Se Hendrix transformou a guitarra com Química (Pedais e efeitos), Beck tinha transformado a guitarra com Física, usando os dedos, as cordas e os controles de volume dos captadores.
Produzido por Mickie Most, Truth é um álbum eclético. Em meio à revolução do Rock Psicodélico, muitas das músicas e ritmos desse álbum parecem acompanhar essa tendência, com a guitarra reforçando a pisicodelia, mas também dando um tom mais pesado às faixas. Isso já acontece na primeira faixa: Shape Of Things. Ela é muito simbólica, pois era uma canção dos Yardbirds, e aqui aparece com uma releitura completamente nova: Com uma bateria mais Swingada e uma guitarra mais pesada.
Quase todo o disco é marcado por covers, mas de diferentes influências: Se You Shook Me e I Ain’t Superstitious tem origens no Blues americano de Willie Dixon; Morning Dew é uma canção Folk canadense. Já Ol’ Man River é oriunda de um musical dos anos 20 e Greensleeves, uma música tradicional britânica (aquela que aparece em diversas caixinhas de música). Apesar de 3 canções aparecerem como compostas por Jeff beck e Rod Stewart (creditados como Jeffrey Rod), elas são acusadas de serem, na verdade, releituras de outras músicas de Blues. Uma espécie de plágio criativo, bem ao estilo Jimmy Page. Porém, isso tudo reforça a diversidade do álbum que combina bem a influência evidente do Blues com a modernidade do Rock Psicodélico que reinava na época, dentre outras inspirações.
Se somos energizados pelo Rock de Let Me Love You e Morning Dew, de repente nos vemos solitários em uma floresta ao som de Greensleeves, e mais tarde, em um bar esfumaçado à meia luz, assistindo a banda tocar Blues Deluxe para uma plateia ébria no fim da noite.
A ironia por trás de tudo é que o Led Zeppelin pode ter sido o rolo compressor que passou por cima do Jeff Beck Group. Com seu primeiro álbum lançado 6 meses depois de Truth, o Zeppelin surgia com um jovem guitarrista prodígio que tinha saído dos Yardbirds, um vocalista com uma voz forte, rouca e estridente, e covers de Blues em versões mais pesadas e modernas. A produção do álbum, as apresentações ao vivo, o baterista, os figurinos… O Led Zeppelin era o Jeff Beck Group, só que tudo era um pouco melhor.
Mas, comparações à parte, não dá pra negar o pioneirismo e criatividade desse álbum. Um marco no Rock dos anos 60, na carreira de Beck e também na carreira de Rod Stewart e Ron Wood, pois ambos, anos mais tarde, deixariam o Jeff Beck Group para formar outra grande banda dos anos 70: The Faces.
Truth é um grande álbum! Divertido, criativo e clássico.
Faixas
Lado A
- Shapes of Things
- Let Me Love You
- Morning Dew
- You Shook Me
- Ol' Man River
Lado B
- Greensleeves
- Rock My Plimsoul
- Beck's Bolero
- Blues De Luxe
- I Ain't Superstitious
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